Em flashes rápidos, são descortinados os anos incipientes da história de amor que começou com uma conversa e uma dança e acabou rendida às convenções. April ambicionava a carreira de atriz; Frank ainda não definira qual rumo dar à sua existência. April declara ao futuro marido que ele é a pessoa mais interessante que conhecera. Com o tempo, a admiração cede espaço ao desalento. Após o casamento, o nascimento dos filhos e a cristalização da vida doméstica e pacata, ela é acometida por um "vazio sem esperança". Uma espécie de Madame Bovary da década de 50 ou mesmo um simulacro das mulheres deprimidas de As Horas, película baseada no livro Mrs. Dalloway, de Virgínia Woolf.
Para acabar com a monotonia, eis que surge a brilhante idéia: "Vamos morar em Paris!". Frank esteve na Cidade Luz durante a 2ª Guerra, e, segundo ele, "lá as pessoas viviam de verdade". Com o novo plano traçado, até respirar ficou mais fácil e a harmonia volta a reinar entre eles. Ao comunicarem a notícia da mudança, os colegas de trabalho de Frank, os vizinhos, enfim, todos ficam boquiabertos com a atitude rebelde, "imatura" e "descabida" do casal.As ilusões, entretanto, duram pouco. A falta de sentido que corrói ambos é dissecada pelo ex-matemático John, vivido por Michael Shannon (indicado ao Oscar 2009 como melhor ator coadjuvante), filho da amiga do casal Helen Givings (Kathy Bates).
Considerado "perturbado", após internações em instituições psiquiátricas e submetido a sessões de choques elétricos, cabe a ele a missão de verbalizar o improferível e dar o start na tensão velada.As agressões morais, traições e mágoas eclodem e minam qualquer chance de reconciliação. O amor estava extinto.
Os embates de ideias entre Winslet e Di Caprio arrepiam e criam rápida identificação com o público. Impossível não se questionar: "O que quero fazer com meu futuro?". Para quem gosta de refletir sobre a vida ou de uma história que fuja do rótulo "Blockbuster", vale a pena conferir!

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