Eu não consigo escrever sobre qualquer obra dele de forma imparcial, uma vez que sou completamente apaixonada por seus filmes, especialmente pela trinca Tudo sobre Minha Mãe, Fale com Ela e Carne Trêmula. Mas, o assunto aqui é a história de amor de Lena (Penélope Cruz) e Mateo Blanco/Harry Caine (Lluis Homar), que, como todo melodrama de Almodóvar que se preze, envolve polêmica, passionalidade e uma pitada de tragédia. Li várias críticas apontando que o diretor flerta com o noir e com o suspense a la Hitchcock, mas sua marca ainda é a escola difundida por Fassbinder.
Em Abraços, Lena, moça humilde, começa a se relacionar com um ricaço, após ter trabalhado como secretária e garota de programa, além de ser atriz aspirante. O destino dela se cruza com o de Mateo Blanco, diretor de cinema acostumado a produzir dramas, durante a seleção de elenco para seu primeiro filme de comédia. Esse encontro movimenta a vida de vários personagens, afetando-os para sempre. Nesse rol, estão o marido de Lena e seu filho, e a agente Judit (Blanca Portillo) e Diego (Tamar Novas), o ouvinte da narrativa contada por Mateo/ Harry. A força motriz da história, porém, advém de um acidente de carro que tira a vida de Lena e a visão de Mateo/ Harry. Após a tragédia, Mateo, o diretor, é enterrado com Lena, e Harry Caine, o escritor, brota das profundezas do homem desiludido.A fotografia construída em tons fortes, a homenagem ao cinema a aos cineastas em referências ao longo do filme e os absurdos que somente fazem sentido pelas mãos de Almodóvar são mesclados e convertidos em um produto emocionante, alinhado à essência e trajetória do diretor espanhol mais aclamado dos últimos tempos.
