sexta-feira, 20 de março de 2009

O Libertino

Ao longo da evolução (ou não) da vida em sociedade, os homens sempre lutaram por interesses e os mascararam com ideologias. Aos vencedores ficaram as tarefas de contar a história e cristalizar suas idiossincrasias. Em outra frente estão os que contestam os valores impostos pela ordem dominante. Uma das formas de refutar o senhorio ideológico é a crítica permeada pelo caos. Chocar as pessoas. Transgredir. Satirizar.

Os agentes da balbúrdia existem para romper paradigmas, quebrar o ritmo cadenciado difundido pela voz uníssona. As maneiras de fazê-lo despertam admiração, ódio, mas dificilmente passam despercebidas. No século XVII, em uma Inglaterra dividida entre as liberdades individuais e a pressão da Igreja, desentendimentos entre o Parlamento e o monarca e assédio da coroa francesa, o poeta inglês John Wilmot, o Conde de Rochester, desponta como O Libertino (The libertine, 2005), erudito, inteligente e sem o menor pudor em exteriorizar seu asco aos maneirismos de sua época.

A cinebiografia baseada no livro do dramaturgo Stephen Jeffreys de 1994 narra as aventuras sexuais de Rochester, seus textos repletos de passagens eróticas e com duras críticas ao governo de Carlos II, o amor pela atriz Elizabeth Barry e a morte prematura, aos 33 anos, devido à sífilis contraída durante a vida desregrada.

O protagonista é encarnado por Johnny Deep, famoso por personagens excêntricos como Edward Mãos de Tesoura (1990), Willy Wonka, na refilmagem de A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005), o escritor Mott Rainey, de Janela Secreta (2004), e o engraçadíssimo Capitão Jack Sparrow, da franquia Piratas do Caribe (2003, 2006 e 2007).

No prólogo, Wilmot alerta que não será um personagem "simpático". E não é. Avesso às convenções e mergulhado em suas visões sobre o mundo, o Conde de Rochester destaca-se por viver intensamente, sem dar explicações ao seu superego. Assim, Deep incorpora ao seu rol de tipos incomuns um contestador convincente.

Somada à interpretação ímpar de Deep, a película conta com uma fotografia sombria, granulada, que transpõe para a tela a atmosfera conturbada da época. A sujeira, lama, ratos, chagas do conde, tudo sugere que a putrefação que habita o interior do poeta deve gritar aos espectadores.

Sinopse

John Wilmot (Johnny Depp), o 2º Conde de Rochester, é um rebelde provocador e um gênio literário da restauração inglesa do século XVII. Wilmot é convocado pelo rei Charles II (John Malkovich) a escrever uma peça, com a responsabilidade de que ela precisa ser magistral e que impressione a corte francesa. Apaixonado pela atriz Elizabeth Barry (Samantha Morton), o desejo de Wilmot em transformá-la em uma estrela e sua inteligência subversiva terminam por escandalizar a sociedade de Londres da época.

Um comentário:

  1. Maravilhoso esse filme. Johnny Depp perfeito como sempre grande ator.

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